Setembro de 2026 Normas e regulamentação

O que a IALA está preparando para o VTS: cinco frentes para acompanhar

Reconhecida como organização intergovernamental, a IALA tem hoje mais peso sobre a operação de VTS no mundo inteiro. Levantamos o que está em desenvolvimento e o que isso significa para a realidade brasileira.

Acompanhar a IALA deixou de ser tarefa apenas de quem escreve norma. Com a organização reconhecida como organização intergovernamental, seus documentos ganham peso institucional maior — e tendem a aparecer com mais frequência como referência em contrato, edital e auditoria no Brasil.

Levantamos o que está em movimento hoje. São cinco frentes, em estágios diferentes de maturidade, e vale saber distinguir o que já é documento publicado do que ainda é rascunho em comitê.

1. A interação com navios automatizados e autônomos

É a frente mais estruturante. A IALA vem desenvolvendo orientação sobre a interação do VTS com um tráfego misto — navios convencionais, automatizados e autônomos convivendo na mesma área.

O documento em desenvolvimento parte de uma constatação incômoda: hoje a interação entre VTS e navios se dá por voz em VHF, e é justamente isso que mantém a consciência situacional compartilhada — todos na frequência ouvem cada interação. Com o aumento da automação, do controle remoto e da operação autônoma, esse mecanismo deixa de funcionar, e a interação migra para meios digitais.

A pergunta prática não é "quando o navio autônomo vai chegar", e sim: quando parte do tráfego não estiver mais escutando o canal, como a central mantém a consciência situacional de todos?

Para quem opera, o efeito começa antes da autonomia plena: já hoje há embarcações com forte automação e centros de operação remota envolvidos na decisão.

2. Os serviços digitais no padrão S-100

O ecossistema S-100, da Organização Hidrográfica Internacional, tem uma especificação dedicada ao VTS: a S-212 — VTS Digital Information Service, ainda em desenvolvimento. A proposta é padronizar a troca digital de informação do serviço, não só entre navio e terra, mas também com outros provedores de serviço.

Na prática, é a infraestrutura que permitirá que a informação hoje transmitida por voz circule em formato estruturado e interoperável — condição para tudo o que se discute na frente anterior.

3. VDES — o canal que vai carregar esses dados

O VHF Data Exchange System amplia a lógica do AIS para troca de dados de maior volume. A IALA mantém orientação sobre o tema e há iniciativas de padronização para o transporte de produtos S-100 relacionados à segurança da navegação, ao VTS e à escala portuária.

⚠️ Este é um campo em movimento rápido, com padrões em diferentes estágios de aprovação. Antes de citar qualquer marco regulatório de VDES em proposta técnica ou edital, confirme a situação atual na fonte primária — a informação de mercado costuma correr à frente do texto aprovado.

4. Treinamento: remoto, mas não no lugar do presencial

A IALA desenvolveu orientação sobre treinamento remoto em VTS, com um recado que merece destaque: o treinamento remoto não substitui o presencial. Ele complementa, e há condições a observar quando parte da formação é conduzida a distância.

Isso conversa diretamente com a estrutura de certificação prevista na A.1158(32): formação genérica aprovada pela autoridade competente, treinamento no próprio VTS, avaliações periódicas e revalidação. O ponto de atenção para os provedores brasileiros é a rastreabilidade: conseguir demonstrar, documentalmente, que cada etapa aconteceu.

5. A arquitetura documental do VTS na IALA

Vale conhecer como a documentação está organizada, porque é isso que aparece citado em auditoria:

A organização por tipo de área, em vez das antigas faixas de complexidade, acompanha o mesmo movimento da A.1158(32): descrever o serviço pelo que ele faz no contexto real, não por categorias abstratas.

Como acompanhar sem virar tarefa de tempo integral

Rotina sugerida

A ressalva de sempre

Padrões e diretrizes da IALA não são obrigatórios por si. Eles ganham força quando a IMO os referencia, quando a autoridade nacional os adota ou quando um contrato os incorpora. No Brasil, o que vincula a operação continua sendo a norma da Autoridade Marítima e os atos das autoridades competentes.

Isso não diminui a importância de acompanhá-los — pelo contrário. É a diferença entre projetar hoje um serviço que ainda fará sentido daqui a dez anos e projetar um que nascerá desatualizado.

Seus procedimentos acompanham o estado da arte?

A VTS Brasil faz diagnóstico documental e revisão de procedimentos à luz das diretrizes vigentes da IMO, dos padrões da IALA e das normas da Autoridade Marítima.

Falar com a VTS Brasil

Fontes

Publicado por VTS Brasil.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a leitura dos documentos originais nem a consulta às normas nacionais aplicáveis.